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Igor R., Bacharel em Direito
Igor R.
Comentário · há 21 horas
Bem, com um espaço fiscal brasileiro bem pequeno para aumentar gastos, e havendo a exigência do aumento de gastos como medidas anticíclicas, o que podemos esperar com a diminuição da arrecadação (mesmo que, em partes, postergada, por redução da carga tributária)?

É um tanto complicado. O governo tem pouca margem para realmente amenizar a recessão econômica (e, dependendo o tempo de quarentena, depressão econômica). Vai imprimir dinheiro? Vai aumentar a dívida pública (esta, no caso, já está para ocorrer)? Ameniza em um primeiro momento, mas não impede em médio e longo prazo.

Estamos concentrados demais nas soluções de países ricos. “Ah, a Alemanha tá injetando horrores”, “ora, a França prometeu milhares de medida”. Goldman Sachs hoje, mesmo com as medidas, projetou PIB em -9% na Zona do Euro (Alemanha -8,9%, França -7,4%, Itália -11,6%). Isso países ricos, que possuem capacidade financeira e um enorme bloco para sustentar medidas anticíclicas. Será mesmo que o Brasil, que está muito longe destes países, tem mesmo meios suficientes? Complicado, ainda mais quando os países estão sem situação econômica bem diferentes e capacidade de ação assimétrica (EUA podem prometer injetar US$ 1 trilhão na economia, e se quiser imprimir dinheiro, enquanto o Brasil não pode sequer sonhar em fazer a metade das medidas).

Enfim, são boas sugestões, mas acho que antes de tudo será uma questão de opções. Vamos antecipar o pico de contágio da doença e aceitar que iremos passar momentos muito difíceis no futuro, inclusive com aumento da letalidade em diversos fatores (suicido, violência, agravamento da situação da saúde pública), ou vamos pensar em meios de mitigar isto, também passando por crise, mas aumentando as chances de recuperação. Porque o “depois a gente vê” pode ser sem retorno para uma parcela significativa da população...
Igor R., Bacharel em Direito
Igor R.
Comentário · há 3 dias
“Neoliberalismo” foi um termo cunhado por Alexander Rüstow como estratégia para desvincular o liberalismo do chamado “laissez-faire”, que fora considerado o grande culpado da crise de 1929. O “neoliberalismo”, como foi taxado na época, e depois o termo abandonado, propunha a economia social de mercado, ou seja, um estado que dispõe uma ordem econômica ativa para evitar falhas do mercado, usando de força e instrumentos capazes de combater o abuso de poder econômico e de protagonizar a justiça social.

Isto que acabei de explicar é algo que qualquer adolescente na Europa sabe dizer. E no Brasil? Todos que usam o termo “neoliberal” parecem não ter a mínima noção...

E o que torna essa ironia trágica é que a esquerda defende os princípios “neoliberais” sem sequer saber! Adoram dizer, no máximo de sua ignorância, que os países nórdicos “são socialistas” (não são), mas não tem a mínima noção da influência “neoliberal” (ordoliberalismo) destes países, inclusive daqueles que passaram pelo reformismo social-democrata. Usam o termo para acusar algo que nada tem a ver, e defendem as pautas daquilo que o estudo etimológico do termo aponta. É rir para não chorar...

No mundo inteiro se discute os impactos do lockdown. Economistas e estudiosos de outras áreas (inclusive do direito, principalmente quem estudou análise econômica do direito e jurimetria) estão concluindo que as consequências do lockdown serão catastróficas, com muito, mas muito mais sofrimento e mortes que o coronavírus. Em algumas semanas de lockdown, poderemos estar condenando o mundo para uma depressão pior que a de 1929 — e milhões de pessoas para o caixão. E o que vemos no Brasil? Um enorme terror e o rei na barriga de alguns, principalmente nos que acreditam que existe “neoliberalismo”. Pessoas que não sabem a diferença entre média simples e ponderada, mas que sabem dizer “com precisão” o número de mortes que iremos ter pelo coronavírus.

Claro, tudo em nome do povo, que será esquecido quando começarem a mendigar. Como foi nas crises anteriores...
Igor R., Bacharel em Direito
Igor R.
Comentário · há 3 dias
Difícil acreditar que você votou no Bolsonaro.

A começar que os vícios dele já eram latentes. O que ele está fazendo agora é a mesma coisa que fazia no passado: arrotar tolices para os convertidos.

Segundo que a reforma da previdência — que você chama de “absurda” — estava no plano de governo dele, e era abertamente falada pelo Paulo Guedes. Aliás, com exceção do plano de governo de Boulos e Haddad, todos falavam de reforma da previdência, pois era algo totalmente necessário — inclusive, teremos que fazer outra daqui a dez anos.

Terceiro que candidatos que poderiam ser uma verdadeira alternância estavam no pleito. Ao invés de um “ex”-nacionalista, que defendia até ontem o nacional-desenvolvimentismo (que é defendido por grande parte da esquerda brasileira), podia votar em alguém que realmente apresentasse um novo projeto de nação.

Enfim, o pronunciamento de ontem foi uma aberração, mas nada que me impressionasse. Do Bolsonaro, espero disto para o pior! Mas estranho é não saber disto durante as eleições, afinal, era algo que ele nunca fez questão de esconder. Ao contrário: era mote de campanha. Ele conseguiu transformar uma realidade (que há exageros na abordagem do coronavírus; que teremos uma recessão econômica com efeitos gravíssimos, e possivelmente mais pessoas mortas que a atual pandemia) em um instrumento de ataque contra a população, afinal, a doença não é nenhuma coisa boba ou pequena, e está muito longe de ser somente uma “gripezinha”. Mas para uma pessoa que ficou famosa falando um festival de bobagens, sendo discípulo de um “guru” especialista em nada, o que podia se esperar? Por isso minha afirmação logo no início: difícil acreditar que você votou no Bolsonaro.
Igor R., Bacharel em Direito
Igor R.
Comentário · há 4 dias
Se Friedman realmente quisesse a “retirada do estado dos assuntos econômicos”, ele não teria sido favorável em partes ao New Deal de Franklyn Roosevelt, no que toca à parte do estado atuar no combate ao desemprego.

E isto ilustra o tanto quanto o brasileiro ainda está preso à caricaturas do pensamento econômico. Não à toa, se acredita na existência do “neoliberalismo”, já evoluindo para parvoíces como “ultraliberalismo”.

Creio eu que, em momento de uma grande depressão econômica que estamos nos aproximando, deveria se discutir como não adotar os mesmos erros do passado. Já tem gente propondo congelamento e tabelamento de preços. Será que poucos se lembram do nosso passado recente? Estatização de empresas pode parecer bom em um primeiro momento — de fato, mantém empregos —, mas aumenta os problemas fiscais em longo prazo e, por muita às vezes, se perde a competitividade. O Brasil tem experiência com estatizações, como as Teles, por exemplo, que serviriam para a expansão da telefonia, mas no final das contas só terminaram com décadas de atraso tecnológico e valores absurdos — muito em decorrência daquele.

A intervenção estatal vai ser necessária, até porque parte dos incentivos errados estão sendo criados por força de atuação estatal, e será preciso da mesma força para corrigir. O problema é que existem mentes que estão se valendo disto para fazer medidas permanentes, ao invés de anticíclicas, com intuito do retorno ao status quo. São pessoas que estão incomodadas com o crescimento não só do pensamento liberal, mas de todo aquele pensamento econômico e filosófico renegado ao povo — sempre taxados de “neoliberalismo”, mesmo que nem liberais fossem...
Igor R., Bacharel em Direito
Igor R.
Comentário · há 8 dias
Na verdade, Gabriel, a quarentena serve para adiantar a fase chamada “pico de contágio” e, em seguida, diminuí-la. O vírus, em si, não para, e pessoas irão continuar sendo contagiadas durante os próximos meses e anos. Testes para todos não faria sentido: testaria positivo um número gigantesco de pessoas assintomáticas que, diante o terror propagado, vão querer tomar e que tomem medidas desnecessárias nos casos deles. Iria colapsar mais rápido o sistema de saúde! Isso fora que já se observa vários casos de falso positivo nos testes, que são descartados pela contraprova (esta, inclusive, se faria necessária também).

E o que se deve ter em mente nas análises é que medidas como fechamento de empresas e quarentena geral trarão consequências graves para o futuro. No caso brasileiro, considerando em médio a longo prazo, poderão ser bem mais graves que o próprio coronavírus. A depender de quanto tempo ficaremos em quarentena, poderemos ter milhões de novos desempregados, desde os menos qualificados até os mais qualificados — inclusive advogados. Grande parte dos negócios não se reorganizarão, até porque já estavam com problemas graças a crise que estávamos saindo. E o governo não tem capacidade de resolver esse problema tão cedo, pois possui um seríssimo problema fiscal que o impede de simplesmente injetar dinheiro na economia. Nisto, estamos falando de pessoas sem dinheiro para pagar plano de saúde e tendo que recorrer ao sistema público — que já é caótico. Não terão dinheiro para comprar remédios, muitos destes não fornecidos (ou se fornecidos, não no tempo certo) pelo sistema único de saúde. Pessoas que irão contrair outras doenças e, por causa do desemprego, não terão como fazer o tratamento correto, e irão morrer. É o que já acontece no Brasil, só que vai ser agravado.

Então, o que se deveria pensar é em quarentena direcionada. Ora, se de 0 à 49 anos já se sabe que a taxa de mortalidade é de 0% a 0,4% (menor que diabetes, tuberculose e câncer, por exemplo), porque fazer quarentena e fechar o comércio destas pessoas? Não é mais fácil e menos prejudicial fazer quarentena direcionada, ou seja, políticas públicas voltadas aos idosos e grupos de risco em geral? Voltar ao foco aos 19% de pessoas contagiadas que desenvolvem a forma mais grave da doença?

Porque essa medida não faz tanto sentido, a não ser, como já explicado, adiantar o pico de contágio...
Igor R., Bacharel em Direito
Igor R.
Comentário · há 11 dias
A questão, como já expliquei acima, é a formação do elemento cultural vem, quase sempre, do contato dessas pessoas com outras pessoas. É por isso que dei o exemplo da cerveja: existia todo uma questão cultural, envolvendo até misticismo, na produção das cervejas pelos sumérios, que posteriormente foi passado para outros povos (inglês, alemão e belga) que passaram a usar a cerveja para outros fins, desde meramente comercial até para pura diversão. Houve “apropriação cultural“ destes? E há “apropriação cultural” nossa, que não respeitamos em praticamente nada a tradição de todos esses povos quando fabricamos nossas cervejas e as bebemos?

Aqui no Brasil, há alguns anos atrás, houve uma abordagem de “apropriação cultural” contra uma mulher branca por ela estar usando lenço na cabeça. Ela estaria desrespeitando a história dos afrodescendentes por estar usando um turbante. A mulher tinha câncer, e estava careca pelo tratamento. E o patrulhismo, como 99% dos casos de acusação de “apropriação cultural”, estavam se apropriando culturalmente do elemento: povos antigos da Mesopotâmia são os prováveis criadores do adereço. Esse elemento passou pela cultura pérsa, faz parte da cultura indiana e grega, usada com fins religiosos pelos hindus. Estariam todos fazendo “apropriação cultural”?

Observe que o que chamo a atenção é que a história está mostrando o tempo todo que dificilmente existe uma cultura pura; que tenha sido única e exclusivamente de certas pessoas para que você possa determinar a propriedade dela — e dar à essas pessoas o poder de dizer se sente homenageado ou não violado. Até em tribos indígenas se descobre que o contato com outra tribo faz com que elementos culturais sejam incorporados — e, por vezes, de forma distinta e até hostil à outra tribo. Na esmagadora maioria das vezes, aquilo que se identifica e acredita ser elemento de alguma cultura em especial é, na verdade, de outras. A gente observa uma prática comum da entrada da noiva com o pai na igreja quando há o casamento, que celebra a entrega do patrio poder do pai ao noivo, algo o catolicismo trouxe influenciado pelo casamento na Roma antiga. Se nos dias atuais, um homem ou uma mulher, junto com seu pai, entrar em uma cerimônia religiosa fora da igreja para “entregar” ao noivo/noiva homossexual, vamos reclamar de “apropriação cultural”, pois tal elemento cultural vai contra os dogmas do catolicismo? Dá para perceber que há algo errado nisto...

Entende? Se a gente considerar a cultura como propriedade de algumas pessoas, a gente se engessa como sociedade e na liberdade individual. Pior: é altamente provável que esteja cometendo anacronismo histórico, e errando sobre a “propriedade“ de tal cultura. Fora que vai se cometer “apropriação cultural” todos os dias, o tempo todo. E para quem tem a intenção de dar um determinismo ideológico, ou seja, lhe controlar de como deve se vestir, falar, comportar, comer e etc., se enaltece um enorme instrumento de poder em favor dele. Não à toa que isto que isso surge somente de pessoas com pensamento progressista (influenciadas pelo pós-modernismo).

Enfim, agradeço a réplica.
Igor R., Bacharel em Direito
Igor R.
Comentário · há 12 dias
Primeiramente, muito bom o artigo.

Todavia, tem que se ter uma cautela aí: a taxa de mortalidade deve ser feita através de uma média ponderada, e não simples. Veja bem: a taxa de mortalidade entre 0 a 9 anos beira a zero. De 10 até 39 anos, 0,2. A partir daí, começa a subir rapidamente, chegando a 8% de 70 a 80 anos, e 14,8% acima dos 80. Nisto, tem que se observar a demografia de cada país para saber a taxa de idosos e pessoas jovens. A Itália, por exemplo, tem mais de 20% da população acima dos 65 anos. É o segundo país do mundo com mais idosos. E o que temos lá? A maior taxa de mortalidade do mundo.

No Brasil, essa taxa beira aos 14%. Ou seja: aplicando a média ponderada (taxa de mortalidade por faixa de idade), a gente não pode esperar uma taxa de mortalidade igual a da Itália. E tem mais: existem as condições climáticas que beneficiam ou não o vírus, ou seja, não quer dizer que se na Itália está ocorrendo muitos casos graves, isso vá ocorrer necessariamente aqui.

E falo isto para que se tenha cautela com todo esse alarmismo. Hoje, vendo uma reportagem na televisão, uma pessoa que tem em torno de 45 anos, estava falando que negaram atendimento a ele, com diabetes e cuspindo sangue, por causa dos atendimentos do coronavírus. A taxa de mortalidade da diabetes é mais que o dobro maior que o do coronavírus. Se for usar a média ponderada, estamos falando de 7% (diabetes) contra 0,4 (coronavírus), ou seja, essa pessoa tem muito mais chances de morrer por diabetes do que pelo coronavírus. E isso acaba se tornando extremamente perigoso, visto que vai aumentar os casos de mortes por outras doenças enquanto muita gente vai ter coronavírus e ficará curada (diversos casos sequer a pessoa saberá que teve a doença).

Fora que isso está causando prejuízos imensos para a economia. A Bolsa de Valores já caiu quase 50% desde a chegada da doença no Brasil. Comércios estão fechando, muitas pessoas não tem a possibilidade de trabalhar em casa. O que vai acontecer nas próximas semanas, caso não se tenha cautela, é o início das demissões em massa. Há um grande risco de desabastecimento em mercados. E não vamos recuperar isto em meses ou poucos anos: estamos nos sentenciando a termos problemas pela próxima década. E a culpa não será somente do coronavírus, mas sim da neurose que está se espalhando na sociedade — por uma doença que não é a peste negra.
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